Este ano estou menos cético, mais disposto a aceitar mistérios que minha singela capacidade intelectiva de um reles homo sapiens não pode compreender. A cada dia os acontecimentos parecem insistir em revelar que o destino toma as rédeas da vida, e que se opor a ele é uma péssima ideia.
Se tratando de mistérios a mente humana é possivelmente o exemplo mais apropriado. Se falarmos de amor então... É melhor deixar isso de lado. O fato é que dediquei considerável tempo tentando entender e desvendar o raciocínio dos outros, um caminho penoso ― uma verdadeira via-sacra, eu diria ― para se chegar à conclusão do quão leviano é se ocupar com algo cuja essência é o próprio mistério. "Que o destino me leve para onde quiser", pensei. Passar por mais sofrimento e mágoa? Que assim seja! Mas que desta vez seja numa nice, sem quebrar a cabeça em mil pedaços e me desdobrar para entender porque tal pessoa se comporta desse ou daquele jeito. O destino entendeu o recado e abriu um sorriso, como o de um clown perverso que entre tantas pessoas escolheu justamente a mim para se divertir. Confiei a ele os rumos da minha vida, isso inclui a parte sentimental, especialmente. Parece até que me libertei de um fardo. Parte dele foi foi esquecer de vez as teorias do Flávio Gikovate, pois concluí que egoístas e generosos são, antes de tudo, uma guerra interior em cada pessoa.
Eis que na última noite ligo meu notebook e percebo que há algo de errado com a conexão. Gastei todas as minhas energias na tentativa de encontrar a origem do problema que impedia de me conectar tanto via roteador quanto com o cabo diretamente plugado. Um viciado em internet entra em colapso se permanecer offline por muito tempo e eu já estava tempo suficiente: o caminho do trabalho para a casa ― perdi meu smartphone, portanto não navego mais durante este trajeto. Mas como também estou dando um tempo com isso, resolvi relaxar e desapegar.
Tomei banho e vim pro quarto testar as amostras grátis de cosméticos que ganhei em Paris. Após mais algumas tentativas frustradas de me conectar, lembrei que há dois dias guardava na pasta dois DVDs com a primeira temporada de Sex and the City. Como é de conhecimento de todos que convivem comigo ou que me seguem no Twitter, nos últimos tempos eu respiro Lost, mas como eu assisto on-line, os DVDs pareciam convenientes. Play.
Tinha razão quem disse que eu me identificaria com a protagonista em alguns aspectos, mas em alguns, somente. Também entendi o motivo do sucesso da série. Logo que terminei o primeiro episódio me dei conta que a chave que habilita a recepção do sinal wireless estava na posição "off", com o lead vermelho. Isso significa que nem com muita reza o note iria se conectar. Foi só pôr a chave na posição certa para acessar meu Google Docs e escrever isto aqui. ...Acho que foi só o destino me lembrando que já estou farto de pensar em como são os relacionamentos, em tentar entender o porquê de tanta gente preferir o sexo casual e se ameaçar com sentimentos, saber porque diabos os românticos são rejeitados e cafajestes cobiçados, etc.
É uma ótima série, reconheço. Mas pelo menos por enquanto quero continuar com os mistérios de Lost, que diga-se de passagem, nem serão respondidos totalmente, segundo entrevistas com os roteiristas que preparam o desfecho da história. Bastante sensato.