quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

RETROSPECTIVA

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sábado, 24 de abril de 2010

Um clown chamado destino e um botão que precisava ser ligado


Este ano estou menos cético, mais disposto a aceitar mistérios que minha singela capacidade intelectiva de um reles homo sapiens não pode compreender. A cada dia os acontecimentos parecem insistir em revelar que o destino toma as rédeas da vida, e que se opor a ele é uma péssima ideia. 
Se tratando de mistérios a mente humana é possivelmente o exemplo mais apropriado. Se falarmos de amor então... É melhor deixar isso de lado. O fato é que dediquei considerável tempo tentando entender e desvendar o raciocínio dos outros, um caminho penoso ― uma verdadeira via-sacra, eu diria ― para se chegar à conclusão do quão leviano é se ocupar com algo cuja essência é o próprio mistério. "Que o destino me leve para onde quiser", pensei. Passar por mais sofrimento e mágoa? Que assim seja! Mas que desta vez seja numa nice, sem quebrar a cabeça em mil pedaços e me desdobrar para entender porque tal pessoa se comporta desse ou daquele jeito. O destino entendeu o recado e abriu um sorriso, como o de um clown perverso que entre tantas pessoas escolheu justamente a mim para se divertir. Confiei a ele os rumos da minha vida, isso inclui a parte sentimental, especialmente. Parece até que me libertei de um fardo. Parte dele foi foi esquecer de vez as teorias do Flávio Gikovate, pois concluí que egoístas e generosos são, antes de tudo, uma guerra interior em cada pessoa. 
Eis que na última noite ligo meu notebook e percebo que há algo de errado com a conexão. Gastei todas as minhas energias na tentativa de encontrar a origem do problema que impedia de me conectar tanto via roteador quanto com o cabo diretamente plugado. Um viciado em internet entra em colapso se permanecer offline por muito tempo e eu já estava tempo suficiente: o caminho do trabalho para a casa ― perdi meu smartphone, portanto não navego mais durante este trajeto. Mas como também estou dando um tempo com isso, resolvi relaxar e desapegar. 
Tomei banho e vim pro quarto testar as amostras grátis de cosméticos que ganhei em Paris. Após mais algumas tentativas frustradas de me conectar, lembrei que há dois dias guardava na pasta dois DVDs com a primeira temporada de Sex and the City. Como é de conhecimento de todos que convivem comigo ou que me seguem no Twitter, nos últimos tempos eu respiro Lost, mas como eu assisto on-line, os DVDs pareciam convenientes. Play. 
Tinha razão quem disse que eu me identificaria com a protagonista em alguns aspectos, mas em alguns, somente. Também entendi o motivo do sucesso da série. Logo que terminei o primeiro episódio me dei conta que a chave que habilita a recepção do sinal wireless estava na posição "off", com o lead vermelho. Isso significa que nem com muita reza o note iria se conectar. Foi só pôr a chave na posição certa para acessar meu Google Docs e escrever isto aqui. ...Acho que foi só o destino me lembrando que já estou farto de pensar em como são os relacionamentos, em tentar entender o porquê de tanta gente preferir o sexo casual e se ameaçar com sentimentos, saber porque diabos os românticos são rejeitados e cafajestes cobiçados, etc. 
É uma ótima série, reconheço. Mas pelo menos por enquanto quero continuar com os mistérios de Lost, que diga-se de passagem, nem serão respondidos totalmente, segundo entrevistas com os roteiristas que preparam o desfecho da história. Bastante sensato.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Metade

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Introspecção e diálogo





Sempre acreditei que expelir palavras rudes sem nenhuma prudência ou permitir a manifestação de reações violentas decorrentes de qualquer descontentamento geram males terríveis a qualquer pessoa que se envolva num episódio do tipo. Aprender a controlar sentimentos destrutivos ou mesmo evitar pequenos comentários espinhosos sempre me pareceram a melhor opção, embora nem sempre tenha sido a minha escolha.

Apesar disso, não havia pensado que, em menores proporções, a cautela em reter determinadas opiniões sobre pessoas com as quais nos relacionamos também poderia ser uma maneira de evitar desgastes. Especialmente quando tais opiniões se baseiam em conclusões pessoais, nestes casos, realmente, o melhor é tentar encarar a realidade sob uma nova perspectiva e talvez aceitar, silenciosamente, tais características que a princípio nos desagradam. Para isso, sem dúvida são necessárias boas doses de reflexão, meditação. 

Contudo, em toda minha curta existência entendi que o equilíbrio sobre todas as coisas é o melhor caminho a ser seguido. Pelo menos para mim, evitar os extremos sempre foi algo que me auxiliou por certo tempo. Admito que com o passar dos anos deixei de pôr em prática tal entendimento, agindo com extremismo e sem diligência em determinadas ocasiões, especialmente quando o assunto é sentimental.

Sempre tive como certo que o equilíbrio é a chave para ações felizes. Reconheço que nossos sentimentos e opiniões dizem respeito a nós mesmos, somente. Se sentimos algo sobre determinada pessoa, tal sentimento foi gerado dentro de nós mesmos, sob um ponto de vista pessoal, portanto, todo o processo acontece internamente, e diz respeito a cada pessoa que o sente. Sendo assim, é inteligente que saibamos ter compaixão e preservar as pessoas a nossa volta de nossos juízos, que por vezes podem soar com rudez. Aprender a lidar com eles, compreendendo a natureza das diferenças é tão importante quanto evitar ebulições mentais ao ponto de exprimir irresponsavelmente o que estamos pensando de imediato.

Mas algumas atitudes que aparentemente são para o bem podem gerar inconvenientes. Quando uma pessoa se cala quase que completamente diante de outra, pode ser tão desagradável ou até pior que falar sobre os desagrados omitidos. Então, encontrar um ponto de equilíbrio entre um diálogo franco e a moderação pode ser o mais indicado para um convívio saudável e mais feliz. Talvez nem seja necessário expor tudo aquilo que pensamos. Considero uma postura sábia evitar palavras que causam sofrimento. Penso que elas só devem ser pronunciadas se forem indispensáveis para a solução de um impasse. Entretanto, na maioria dos casos, um tratamento carinhoso e genuíno resolve o problema, sem a necessidade de revelar pensamentos que possam, eventualmente, causar prejuízos. Acho que quem adota um comportamento de introversão absoluta, pode ao menos explicar à pessoa que se convive que a referida atitude é praticada com o intuito de preservá-la. Pode ser o suficiente para não gerar incômodos e preocupações. Mas se a introversão é gerada por sentimentos de dúvidas, medo e se há insegurança sobre a possibilidade de superá-la, acho que é possível trabalhar em conjunto e tentar encontrar uma solução.

A conclusão que tenho de tudo isso é que não há conclusão. Conforme vamos vivendo, aprendemos com os espinhos que por vezes nos incomodam. O mais importante é não se deixar abater por coisas pequenas. Se há disposição, que os dilemas sejam resolvidos. Prefiro não abrir mão dos bons momentos e zelar pelo convívio com pessoas honestas, que nos ajudam a evoluir e aprender mutuamente. Vamos em frente!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ídolo dos hackers alerta sobre inegurança na rede
























Em passagem pelo Brasil, Kevin Mitnick revela na Campus Party como pessoas e sistemas são enganados


Ataques virtuais a empresas e órgãos públicos levaram o norte-americano Kevin Mitnick à prisão na década de 90, onde foi obrigado a ficar sete anos sem acesso a internet. A condenação também o levou à fama. Ficou mundialmente conhecido, inspirou filme e se tornou ícone no mundo dos hackers. Hoje, ganha dinheiro para descobrir falhas em sistemas corporativos e contar às pessoas histórias reais que demonstram a vulnerabilidade de quem navega na internet ou simplesmente mantem uma conta bancária. 

Menos de uma hora de palestra foi suficiente para Mitnick invadir um computador, obter dados de um cartão de crédito e convencer o público da Campus Party sobre a insegurança dos sistemas. Para ele, apesar dessas falhas, a falta de desconfiança, incompetência e ingenuidade alheia são fatores importantes para o êxito de um plano que tem como objetivo roubar dados sigilosos ou pôr em prática uma invasão virtual. É o que classifica como “engenharia social”, tendo em vista que é mais fácil enganar e conseguir a colaboração involuntária das próprias vítimas que gastar tempo para encontrar brechas ou obter os dados de forma mais complexa. A estratégia, segundo explicou, consiste em “desenvolver uma história plausível, que convença e conquiste credibilidade para que a pessoa cumpra pedidos”. “As pessoas gostam de ajudar as outras, não sabem dizer não”, comenta ao falar sobre funcionários que tapeava em grandes empresas, como a Motorola. 

Ataques 

Durante a palestra, o convidado alertou sobre o cuidado que se deve ter com o que se conecta ao computador. Ele explicou que muitos crackers - nome dado aos hackers invasores - deixam pendrives na rua e esperam até que alguém os encontre e conecte para descobrir os arquivos armazenados. “O mecanismo de propagação de todo malware é a engenharia social, isto é, enganar alguém”. Em sua demonstração, logo após conectar um pendrive infectado ao computador do palco, uma janela com toda a movimentação da outra tela se abriu em um notebook. “É como um homem invisível que vê tudo o que você faz. Assustador”, acrescenta. 
Para evitar estes tipos de ataque, Mitnick sugere desativar a reprodução automática de drivers no Windows

Ataques provenientes de e-mails suspeitos são até comuns, mas e um arquivo em PDF? “Se alguém lhe manda um PDF, você acha que é seguro abrir?”, questiona o palestrante. Talvez poucos saibam que o formato para visualização de texto tão comum possa guardar códigos maliciosos. “O arquivo pode ser explorado, carregando um código no leitor real. Com isso é possível fazer qualquer coisa no computador da pessoa”. 

"Fishing" é o nome dado aos golpes em que a vítima recebe um e-mail com o logotipo do banco, e ao clicar no link é direcionada a uma página falsa cujo formulário é enviado diretamente aos crackers.  Essa prática é ainda mais eficiente, segundo Mitnick, quando uma pessoa é induzida a telefonar para onde acredita ser a central do banco ou cartão de crédito. Nestes casos, o correntista recebe um e-mail falso, solicitando que entre em contato por telefone para regularização da conta. Em mais uma de suas demonstrações, Mitnick tira o telefone do gancho, pede silêncio e disca para um número que simula o auto-atendimento em uma empresa de cartão de crédito. Conforme teclava os números do cartão, os dados apareciam na tela de um software espião. "A vítima liga para um número sobre meu controle, porque nunca verifica se é o do banco, a ligação vai para o interceptor que está entre o banco e a vítima. Assim, muitas credenciais e números podem ser roubados rapidamente", revela.